Por conta da baixa intenção de voto e da dificuldade para entregas, aliados do governador Clécio Luís (União Brasil) começam a perder a paciência. É o caso do deputado estadual Roberto Góes (PDT).
Em discurso duro na Assembleia Legislativa do Amapá (ALAP), Góes comparou a gestão estadual a um barco afundando. “A gente tira água do barco e os secretários colocam”, disparou o parlamentar, que integra a base do governo.
A fala expõe o desgaste interno do Palácio do Setentrião. Segundo Góes, deputados da base têm feito a defesa do governo nas ruas e nos municípios, mas não recebem respaldo das secretarias na execução de obras e na liberação de demandas.
“Não adianta o deputado ir lá defender se o secretário não entrega. Fica difícil sustentar o governo assim”, completou.
Base sob pressão
A crítica vem após a divulgação de seis pesquisas eleitorais que apontam queda nas intenções de voto para reeleição de Clécio em 2026. O cenário enfraquece o poder de articulação do governador e amplia a cobrança por resultados.
Além de Roberto Góes, outros parlamentares já subiram à tribuna para cobrar postura de secretários. O principal alvo tem sido a Secretaria de Estado da Fazenda (SEFAZ), comandada por Jorge Vidal.
Nos bastidores, a avaliação é que o governo perde governabilidade à medida que os aliados passam de defensores a críticos públicos da gestão.
Na avaliação do deputado estadual R. Nelson Vieira (Podemos), os secretários não executam as ações e a culpa não é deles, mas sim do governador Clécio Luís.
“Quem define prioridades, coordena as ações e responde pelos resultados é o gestor maior. Cabe a ele acompanhar, cobrar e fiscalizar como cada secretaria está trabalhando. Quando algo não funciona, não dá para fragmentar a responsabilidade. Responsabilidade não se divide. Se assume”, concluiu o parlamentar.