No início de setembro, o deputado estadual, R. Nelson Vieira (PL), em sessão na Assembleia Legislativa do Amapá (ALAP), alertou sobre o risco do investimento no valor de mais de R$ 400 milhões feito pela Amapá Previdência (AMPREV), junto ao Banco Master.
“Fui contestado pelo líder do governo. Hoje, a realidade confirma nossa preocupação: liquidação do banco e prisão do proprietário. Fiscalizar não é exagero — é responsabilidade”, lembrou.
Na época, o deputado R. Nelson foi contratado pelo líder do governo na ALAP, deputado estadual, Oliveira de Jesus (Republicanos). “Nós temos que ter provas em mãos para dizer isso. Não basta apenas palavras”, rebateu o líder do governo Clécio na ALAP.
Operação da PF
A prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (18), durante a Operação Compliance Zero, acendeu um forte sinal de alerta no Amapá — especialmente entre servidores públicos aposentados e pensionistas. Isso porque a Amapá Previdência (Amprev) tem aproximadamente R$ 400 milhões investidos em títulos financeiros emitidos justamente pelo Banco Master.
Segundo a PF, Vorcaro é investigado por crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa e suposta emissão de títulos de crédito falsos. A operação cumpriu mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
Investimento bilionário, risco elevado
Os R$ 400 milhões aplicados pela Amprev estão em letras financeiras do Banco Master, um tipo de investimento que não tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ou seja: se o banco sofrer intervenção, enfrentar um colapso financeiro ou for liquidado, o dinheiro dos aposentados pode não ser recuperado.
Esses títulos foram adquiridos em meio a uma política de investimentos aprovada pelo Conselho Estadual de Previdência, mas sempre foram considerados de risco e agora, com a prisão do dono da instituição, o cenário se torna ainda mais preocupante.
Sinal amarelo já estava aceso no mercado
Nos últimos meses, o Banco Master vinha sob forte desconfiança de órgãos reguladores e do mercado financeiro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga suspeitas de supervalorização de ativos no balanço do banco.
Além disso, o Banco Central teria impedido uma tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), após detectar riscos ligados a ativos considerados “podres” na contabilidade da instituição.
Caso essas suspeitas se confirmem, diversos fundos de previdência pelo país incluindo a Amprev, podem enfrentar perdas significativas.
Amprev tenta tranquilizar, mas cenário exige atenção
Em reuniões anteriores, o Banco Master apresentou dados e relatórios para tentar tranquilizar o Conselho Estadual de Previdência. A Amprev, por sua vez, afirma que os investimentos vinham pagando bônus semestrais e estariam dentro das regras da política de aplicação do fundo.
Agora, com o avanço da operação da PF, o órgão será pressionado a explicar o nível de risco assumido e, sobretudo, a garantir que os aposentados do Amapá não sejam prejudicados por uma eventual quebra do banco.