A Câmara Municipal de Macapá (CMM) sofreu novo baque nesta quinta-feira, 15. Um dos vereadores alvo da Operação Cavalo de Tróia, deflagrada pela Polícia Civil com apoio do GAECO do Ministério Público do Amapá, é Daniel Theodoro (PSOL) - que foi afastado cautelarmente do cargo por decisão judicial.
A operação investiga um suposto esquema envolvendo agentes públicos e integrantes da facção criminosa Família Terror do Amapá (FTA), com suspeitas de loteamento de vagas de trabalho na Câmara e concessão de privilégios a membros da organização criminosa em troca de apoio político e eleitoral.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, inclusive em gabinetes da Câmara de Vereadores de Macapá. Policiais recolheram celulares, documentos e computadores.
O caso ganha ainda mais repercussão porque Daniel Theodoro havia sido eleito recentemente para integrar a próxima Mesa Diretora da Câmara Municipal. Ele é o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Pedro DaLua (União Brasil), eleito presidente para o biênio 2027/2028 na eleição conturbada da última terça (13).
Com isso, o afastamento do vereador acontece justamente antes do início do novo período legislativo, colocando sob pressão a composição da futura direção da Casa. DaLua, que é o atual prefeito interino de Macapá e aliado de primeira hora do governador Clécio Luís, perde seu vice na Mesa.
Daniel Theodoro é considerado da base aliada do governo Clécio na Câmara, votando alinhado com o Palácio do Setentrião em projetos de interesse do Executivo.
Segundo a Polícia Civil, as medidas cautelares foram tomadas para impedir o uso da estrutura pública em benefício de organizações criminosas. O vereador afastado também está proibido de acessar a Câmara Municipal e seus sistemas, além de outras restrições impostas pela Justiça, como proibição de contato com outros investigados e uso de tornozeleira eletrônica.
A investigação segue sob sigilo e os envolvidos são investigados por organização criminosa, corrupção e tráfico de influência.