A esquerda amapaense, que por muito tempo saiu vitoriosa das urnas, cometeu agora o seu erro mais estratégico: elegeu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), como seu líder informal.
Davi não é de esquerda. Nunca foi. Davi é União Brasil, é centro-direita pragmático, é o maior articulador do conservadorismo no Senado, aliado de primeira hora do agronegócio, da bancada da bala e do projeto que a esquerda diz combater em Brasília.
Mas no Amapá, por falta de liderança própria, por falta de projeto e por puro fisiologismo, PT, Rede, PCdoB, PV e PSOL, decidiram se abrigar debaixo da asa de Davi para tentar sobreviver em 2026.
O resultado? A esquerda vai encolher ainda mais, segundo os números das últimas pesquisas. E por três motivos claros: Perdeu identidade: O eleitor de esquerda no Amapá não vai votar em um candidato que pede bênção para Davi Alcolumbre. Ele prefere não votar ou migra para o centro. Ao se vender como satélite de Davi, a esquerda deixa de ser alternativa.
Perde discurso: Como criticar o sistema, o atraso, o coronelismo, se o seu líder é justamente o maior representante do sistema que você dizia combater? Fica sem palanque moral.
Perde espaço: Davi não fortalece a esquerda, ele usa a esquerda. Usa para ter palanque em Brasília com o governo Lula, usa para neutralizar adversários, mas na hora de dividir poder real - Senado, Governo, Prefeitura - a conta nunca fecha para o PT.
Enquanto o centro-direita no Amapá cresce com nomes próprios, com discurso próprio e com base organizada, a esquerda do Amapá se contenta em ser assessoria do gabinete de Alcolumbre.
Escolher Davi Alcolumbre como líder não foi uma estratégia. Foi um atestado de falência. E nas urnas de 2026, essa conta vai chegar bem mais cara.