O apoio declarado e escancarado de cargos do primeiro escalão da segurança ao governador Clécio Luis (União Brasil) expõe o uso político da máquina que deveria garantir a imparcialidade do processo eleitoral.
Estão no centro da polêmica:
1 - César Vieira, Secretário de Estado da Justiça e Segurança Pública (SEJUSP) - o chefe de toda a segurança do Estado;
2 - Cel. Márcio Allan Rodrigues Assunção (Alan Rodrigues), Comandante-Geral da Polícia Militar do Amapá - o mesmo que assinou a Portaria Normativa nº 051-GCG de 17/08/2026, que proíbe qualquer policial de manifestar posicionamento político-partidário, sob pena de assédio eleitoral;
3 - Ronaldo Coelho - delegado aposentado da Polícia Civil, nomeado por Clécio como Gerente Geral do Projeto "Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras - ENAFRON" no Amapá, cargo estratégico e bem remunerado dentro da SEJUSP.
Os três têm aparecido juntos em agendas, vídeos e articulações políticas em favor da reeleição de Clécio, quebrando o princípio da impessoalidade previsto no Art. 37 da Constituição Federal e na própria portaria da PM.
A portaria assinada por Alan Rodrigues é clara: Art. 5º - É vedado aos policiais manifestarem, em meios públicos, inclusive em redes sociais pessoais, posicionamentos de cunho político-partidário.
Art. 8º - É vedado a qualquer superior hierárquico exercer pressão, induzir ou constranger subordinado a apoiar candidato, configurando assédio eleitoral.
Como a tropa vai acreditar na isenção da PM se o próprio comandante-geral faz campanha? Como um delegado, um investigador ou um PM de ponta vai se sentir à vontade para fiscalizar abuso de poder político no interior, se o secretário de segurança e o comandante são cabos eleitorais do governador?
A situação se agrava com a nomeação de Ronaldo Coelho Aposentado da Polícia Civil, ele foi premiado com a gerência do ENAFRON, projeto federal que controla recursos e operações nas fronteiras, uma área sensível e que deveria ser técnica, não política.
O que se vê no Amapá é a partidarização da segurança pública. Quem deveria garantir a lisura da eleição, virou palanque.
O Ministério Público Eleitoral e a Procuradoria Regional Eleitoral precisam agir antes que a estrutura do Estado - viaturas, inteligência, efetivo e cargos - seja colocada a serviço de um projeto de poder.